segunda-feira, 12 de setembro de 2011
R.E.M.
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Súplica
Por favor, me chacoalhe, me balance, me empurre. Me estapeie, uma, duas vezes, ou uma vez em cada face: me acorde, me diga "já chega". Berre, escandalize, me curta, me doa, não me deixe morrer sem cicatrizes, não me deixe viver sem histórias, faça de mim seu teorema, sua prática, sua lágrima, me use como quiser, me conheça, me enfureça, me pare, me aqueça.
Leia Sidney Sheldon para mim, me invente, aceite, me mutile quando necessário... Não me fragilize, não me levante, ME ELEVE! Não abaixe os olhos, não, não agora. Reflita em mim todos os seus Shakespeares, com duas mil e onze rosas a receber, com coreografias na porta de casa, com aquele desespero lindo: me suspire, me despedace, me delire.
Vibre, relacione, esfregue, desfile para mim num espasmo, me faça sentir de novo todo o mistério de algo sincero, algo silencioso, louco. Não vire as costas, não pegue o ônibus. Volta, por favor. Não me deixa morrer assim...
quinta-feira, 21 de julho de 2011
If I was young...
Lágrimas de cigana.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Pois é do desejo que saem as angústias
Na frente do espelho, não me reconheci. Quem era aquela louca? Dissimulada? Falsificada? Era uma estranha. Angustiada. Atormentada por ela mesma. Se alimentava de sonhos quebrados, aprisionava demônios à sete chaves. E por que? Pra quê? Por quem? Fui eu que criei TUDO isso?
Todos os meus pensamentos (escravos das minhas emoções) choraram juntos, e as lágrimas se misturavam ao sangue e no meio de toda bagunça havia a ilusão, o desespero, a libido, tudo me dilacerando como da primeira vez.
Só que mais intensamente.
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Pois bem, discutemos, Cigana!
Pois bem, vim aqui debater e expor minha opinião, Cigana.
Acredito que se você tiver que mudar para ter uma relação duradoura, ela não será duradoura da forma "ideal".
Dizer o que é essencial? Hmm… sim, concordo. Poder dizer o que sente ao outro, sem medo, sem segredos.
Pequenas delicadezas são importantes, e ajudam na duração da relação. Mas mais importante ainda é provar gloriosamente que ama (se amar; e, claro, mais que amigavelmente, ou apenas amigavelmente. Que, para mim, a segunda é mais agradável e proveitosa).
Hmm... Mais para saber exatamente como parar uma briga, com a ajuda do momento certo, claro. Mas, novamente, um relacionamento duradouro "ideal" nunca teria sérias brigas.
Ser como o mar, sim, concordo, infinitamente belo e recheado de mistérios e novas descobertas.
Respondida as perguntas, espero que não se incomodem com uma “pequena” adição, na qual provavelmente enrolarei sem perceber:
Um amor amigo é diferente de um amor “mais que amigo”. Um amigo é impenetrável, é aquele calor no peito, aquela saudade diária que aumenta ardentemente a cada hora. É a vontade de conversar todo dia, mas, por algum motivo inexplicável, ter o medo de usar o telefone. Ah, se pudesse, se conseguisse (convenhamos, a conta de telefone seria alta). Agora, o amor de um casal pode desmoronar a qualquer minuto, a qualquer abalo, a qualquer descuido. O amor de um casal não é mais íntimo, nunca! Ele apenas contém maior contato físico e liberação de hormônios prazerosos, sem, claro, objeção alguma por minha parte. Mas pensemos, do que um ser humano precisa mais? De um amor amigo ou de um amor de cupido? Numa noite desolada, este ser não terá com quem chorar, pois, acredito eu, que o parceiro sexual saberá precisamente o que falar para deixá-lo feliz e alegre novamente. Já, um amigo, um real amigo, mesmo que você encharque seu ombro de água salgada, mesmo que você o chamasse de cobras e lagartos no âmbito do desespero, ele entenderia e saberia exatamente, também, o que lhe deixaria feliz, mas ele não o diria, não! (Pode até parecer uma piegas velha opinião formada sobre “tudo” aqui, mas acredito). Ele não poderia, não teria a coragem, de iludi-lo dessa forma. Ele sabe que será triste e doloroso, mas sabe que não podemos viver de mentiras e ele diria a horrível verdade, a horrível e abençoada verdade que o fará levantar e continuar andando. Ele será vero, sincero. E é isso que aquece meu coração e move as engrenagens de minha mente, passando todas elas para o papel ou, neste caso, computador. Bem, listei algumas, poucas, diferenças contrastantes, mas continuarei a divagar:
Por menos que pareça, a maioria dos textos que fiz sobre amor foram feitos baseados na inspiração trazida pelo amor eterno de uma amizade que tenho. Todos eles. Até os que usei um palavreado, ou estilo, mais chulo foram inspirados pelo amor que sinto e, sempre ao discutir este assunto, lembro-me de uma metáfora excelente, para mim, que, orgulhosamente, digo que inventei (se alguém já não a havia inventado); A amizade é como um prédio, ventos e chuvas ácidas podem danificar seu topo e exterior, mas sua fundação nunca sairá do lugar, nunca será destruída ou esquecida e, com ela, você sempre poderá reconstruir a ponte de volta. Nessa minha amizade, a contagem total de brigas, sérias ou não, é zero. A contagem total de risos é indefinida, os marcadores perderam a conta. A contagem de momentos emocionais é, bom, grande; o ponto mais importante foi chegarmos ao patamar de dizermos “eu te amo” (já há um admirável tempo, admito) e não mentirmos, isso, mon amis, é uma verdadeira amizade. E, olhe, como agradeço por ela existir. Não têm ideia.
Desculpem-me por ter divagado tanto quanto divaguei, mas apenas segui o fluxo de minha mente. Desculpo-me, também, por qualquer possível ofensa em minha réplica. E desculpo-me por novamente pensar no mencionado amor para escrever este texto.
Espero ansiosamente por sua resposta, Cigana (ou qualquer interessado),
O Hobbit
Em pauta
sábado, 7 de maio de 2011
Como numa vez já disse o monstro-conhecedor-da-vida, Millôr Fernandes, "toda alegria é assim: já vem embrulhada numa tristezinha de papel fino".
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Extremidades
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Omnia gaudent
segunda-feira, 28 de março de 2011
Evaporar
terça-feira, 15 de março de 2011
14 de Março - Dia Nacional da Poesia
Venho para lembrá-los, amigos poetas, da nossa enorme missão num mundo tão objetivo e pragmático.
Nossa poesia é a arte que transcreve as ideias, os sons, toques e cheiros que imaginamos. É ela que escreve dos beijos que lembramos, as feridas que guardamos e os sonhos que planejamos. Só através da escrita consertamos desentendimentos e criamos formas de variadas cores para representar uma visão de mundo nova e sem paradigmas. Passamos a entender, então, que palavras são só palavras, quando ditas sem coragem e sem coração.
A missão do "escrevedor" é dizer o que todos estavam pensando em suas cabeças tristes, mas com um vocabulário resgatado do fundo dos baús, afundado pela esperança que muita gente já enterrou. Olho-no-olho nos torna mais humanos e nos explica muita coisa.
Mas é a poesia o que nos faz eternos.
sexta-feira, 11 de março de 2011
Astrologia musical

Fugindo dele, conectou o fone de ouvido o mais rápido que pode às caixas de som. Num desespero disfarçado, elas eram uma espécie de salvação além da porta trancada, e por vezes, do travesseiro. Mas a insônia a rondava como uma fumaça, cegando-a.
Dormir, naquele momento seria hipocrisia. Sonhar? Fora de cogitação! Quase como um crime desnecessário. Aumentou sutilmente o volume, escolhendo à deriva uma música qualquer que a distraísse por, ao menos, um curto tempo. Sentiu a nostalgia machucar seus pensamentos, afinal, tudo não passara de uma mentira, não é? Uma mentira amarga, até mesmo sem pé nem cabeça, irracional, incompreensível, culpada... Tão culpada.
Ilusão mesmo era aceitar que ouvindo suas músicas, delirando em suas letras e conformando-se com os problemas a calma viria e a tempestade não passaria de um vento já longe. Não passou. Não era vento, era um furação. Também não era só mais um problema, e ela já não tinha mais opções. Não podia mais pular do avião, saltar daquele trem em movimento, não podia mais se esconder, não encontrava a chave da porta, não tinha luz em túnel algum, não, não, não. Ensurdecia de nãos. Sufocada na própria falta de ar e esperança.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Pose no discurso
Ao ler meus amigos Iral Levirc, Dança com Lobos e Kanibalas Kunigas dialogarem e teorizarem sobre o amor, venho falar não deste, mas de seus profundos eufemismos...
Num mundo já tão fragilizado e à deriva do desespero, ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-lhe e respeitando-lhe até que a morte os separe é um tanto quanto, digamos assim, prematuro e incompleto. A fidelidade, afinal, conduz a muito mais do que essas promessas numa noite quente e festiva.
Não falo só dos casamentos: qualquer relação já banalizada vira sinal de infelicidade. E infidelidade consigo mesmo. Ou você discorda que ser obrigado a amar o que não te agrada é trair os próprios sentimentos?
Involuntariamente nos tornamos controladores, menos românticos, imaturos e mau humorados, cometendo um crime tão grave quanto matar um ser humano: matamos aos poucos a convivência de um casal que antes acreditava poder ser feliz até a morte.
Felicidade é outro problema no relacionamento: quanto menos nos conhecemos, menos sabemos o que fazer de nós, e mais infelizes nos tornamos, mesmo que seja no inconsciente. Quanto menos conhecemos nosso parceiro, mais o levaremos à rotina, à falta de vontade própria, à falta de amizade que deve existir entre dois amantes.
O amor só está aí porque se deixou transparecer, iludir, tomar conta da mente ao em vez de melhorá-la. Passo a achar então que, negar a existência do amor, é negar a sua própria existência. Independente da forma de amar.
Os filhos, o sexo, a companhia, a individualidade, o prazer e a realidade de uma vida a dois: se não houver quem acredite, será apenas parte de um sermão na igreja visto sob olhos ingênuos de um homem de terno e uma mulher de vestido branco.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Bailando no ar
Algumas pulseiras, um poema dramático e uma atração quase sexual pela autodestruição. Até diria que eu sou cópia barata de Capitu. Metade verão, metade melodia, verbos e oceanos que por mim passaram. Ouso dizer que alguns ficaram; “despromovendo” o desapego. Meu lado romântico briga, pois não quer existir. A roupa colorida é para esconder os dias cinzas. Corro da dor constantemente e há sempre alguma maquiagem que disfarce a falta de brilho.
Desamarre o laço, abra a caixa. Sentirá um leve cheiro de provocação, mas não se engane, estas mãos no teclado causam estragos irreversíveis aos corações desatentos. Dentro da caixa fica mais e mais difícil de respirar. A solidão acaba até sendo subestimada. Mas apenas me leve pra longe. "Close your eyes, sometimes it helps".



