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sábado, 1 de dezembro de 2012

Despedida


Vil Sociedade,
Me prendeste em
Correntes de palavras,
De juramentos,
De pressão.

Por meio desta
Minha última obra,
Meu último poema,
Me despeço de vocês.
Sentirei a falta de todos.

Mas cansei-me,
Quebro as algemas,
Viro livre,
Torno a avoar por aí.
Almejo novas aventuras.

Não esquecerei do
Que passamos juntos
Mas este velho Hobbit
Quer crescer
E nada mais vê aqui.

Um triste adeus
A todos vocês...

Quem sabe não volto
A ajudar-lhes
Com minha trêmula caligrafia novamente.
Bilbo Baggins.



PS: Esta é apenas uma forma figurada de despedida que fiz e as palavras que nela se encontram são cruéis, mas nem um pouco verdadeiras. Espero que os leitores entendam que é apenas uma obra de ficção, tendo a despedida como única verdade. Portanto, despeço-me; um grande abraço aos que me acompanharam. Adieu!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Fim, início ou eternidade?

Agonia. Sangue. Espada no chão. Escudo destruído. Armadura... Penetrada. Socorro.
A chuva bate em meu rosto, escorrega por ele, se confunde entre as lágrimas.
Levanto os olhos, examino a sombra com quem lutava. Grande e vil, insaciável e impiedosa.
Desisto. Soco a lama, grito aos céus “Levem-me para Valinor, levem-me!”. Deito e espero o manto negro.
Um silêncio mortal cai sobre a noite, não ouço chuva, não ouço trovões, não ouço rugidos.
Ouço... Ouço passos. Leves, delicados. Viro-me, uma áurea branca se aproxima.
Deita-se na lama comigo, não se suja. Na verdade, espanta a sujeira.
Abraça-me. Beija-me. Passa as mãos pelo meu corpo indefeso. Cura-me. Desmaio, atordoado.

Acordo. Sem escoriações, sem ossos quebrados, sem sangue, sem agonia, sem dor.
Lá está. A... criatura. “Olá” – digo – “Obrigado por me salvar”.
Não compreendo, aquilo correu. Fugiu quando agradeci.
Levantei e vasculhei. Vastos corredores claros de pedra. Uma fortaleza?
Não havia ninguém.
De repente, me encontro num jardim. Verde, fresco, florido, belo. Não sei como cheguei aqui.
Ouço passos leves, delicados. Era aquilo.
Sinto-me mal. Desembainho a espada, retiro o escudo das costas. Armo-me.
E lá está, a criatura que me salvou. Pequena e humilde, graciosa e bela.
A paisagem... O jardim... Está mudando a minha volta, escurecendo. Aquilo caminhando.
Escuridão nasce do brilho, fogo do verde, desespero da calma... Morte da vida?
Iluminados pelo fogo, enxergo destroços. Os grandes corredores destruídos, esquecidos.
A minha frente, a criatura. Se modificando. Do claro à sombra. De pequena à grande. Graciosa à vil. Bela à impiedosa. Humilde à insaciável.
E surge a sombra. Aquela sombra. Chegou o dia, este É o dia, jovem Hobbit, o dia em que a destrói.
Chuva apaga o fogo. A estrela de Eärendil em minha mão ilumina o local. Lá está, correndo.
Sou atingido, escudo destruído. Novamente. Esquivo-me um ataque após o outro.
Assim, sobrevivo. É matar ou morrer. Ah, devo fugir, senão morrerei. Corro.
Corro sem olhar para trás. Trombo com uma árvore. Um Ent. Para ser sincero. Vários deles. Não me deixariam ir, era essa a hora de enfrentar... Aquilo.
Volto. Tremo. Temo. Suo. Grito no interior. Aponto Eärendil na direção da coisa.
De nada adianta. Aquilo a tirou de minha mão, quebrou-a, a luz esvaiu-se e morreu na escuridão.
Não vejo nada. Um olhar perverso, talvez. Sons pelas minhas costas. Imaginação?
Sou derrubado. Grande ferimento em minhas costas.
“Covarde” – grito – “Enfrente-me como um soldado, elmo a elmo!”.
Levanto-me. Aparece em minha frente. Engrandece-se. Fortalece-se.
Ataca-me. Escorrego por entre suas pernas. Desvio de outro ataque. Defendo mais um.
Ferroada se trinca. “Tenho que terminar isso logo”, penso.
Desvio e escondo-me. Escalo.
Ataco-o por cima, sem dó. Com medo. Com dúvida, “Isto é o certo?”

Mas destruo-o. É o fim. Finalmente, o fim.
Pequena e Grande, Vil e Piedosa. Não importa, a criatura está morta.
Agora vivo a vida e espero a próxima. Ou a procuro. Por um fim em tudo, quem sabe?
Ou ter o meu fim.
Ou ter a eternidade.