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sábado, 1 de dezembro de 2012

Despedida


Vil Sociedade,
Me prendeste em
Correntes de palavras,
De juramentos,
De pressão.

Por meio desta
Minha última obra,
Meu último poema,
Me despeço de vocês.
Sentirei a falta de todos.

Mas cansei-me,
Quebro as algemas,
Viro livre,
Torno a avoar por aí.
Almejo novas aventuras.

Não esquecerei do
Que passamos juntos
Mas este velho Hobbit
Quer crescer
E nada mais vê aqui.

Um triste adeus
A todos vocês...

Quem sabe não volto
A ajudar-lhes
Com minha trêmula caligrafia novamente.
Bilbo Baggins.



PS: Esta é apenas uma forma figurada de despedida que fiz e as palavras que nela se encontram são cruéis, mas nem um pouco verdadeiras. Espero que os leitores entendam que é apenas uma obra de ficção, tendo a despedida como única verdade. Portanto, despeço-me; um grande abraço aos que me acompanharam. Adieu!

domingo, 18 de novembro de 2012

Desaparecimento


Do espaço escuro, o asfalto,
Das estrelas, o vidro estilhaçado.
Em mil pedaços
Brilhantes e cintilantes.

Eu.

O descer da caixa,
O subir da alma.
A libertação,
Mas nem sempre a salvação.

Sua.

A chuva da calma desespera
Enquanto a gente espera.
Espera um milagre
Do frio e da outra metade.

Minha.

O cheiro de terra molhada,
A conquista de território.
Cada um com sua bandeirinha isolada,
Na madeira encharcada.

Você.

Saudação em trovões,
O céu em clarões.
Um acolhimento
Ou um esquecimento?

Nosso.

O pai nosso não é o mesmo,
Mas ainda assim estou jogado a ermo.
Esperando o reencontro
Em um fantasioso ponto.

Assim como todos.


sábado, 3 de novembro de 2012

Pseudosoneto de um louco



Sinto o perigo apoiado em minhas costas,
A sombra de dois passados monstruosos.
Deixe-me falar enquanto deitado em seu colo.

Salve-me em carinhos e em cafunés,
Mas nada de café!
Só amor, sem intrigas, sem dor.

Um abraço apertado,
Duas mãos desesperadamente se agarrando,
Duas vidas, uma de cada lado.
Perdidamente se procurando.

Procurando no meio da multidão,
No meio da solidão,
Pela única possível razão
Para uma fantasiosa salvação.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Sonhos e ilusões

Sonhos que me iludem,

Sonhos que sonham em sonhar,

Sonhos que me querem bem,

Sonhos que acabam por me acabar.


Sonhos que destroem

Enquanto mascarados de cura.

Mas eu sei que a queda é dura

E que é fria a chuva.


E, apesar de vocês, delírios noturnos,

O sol ainda há de me esquentar a alma

E de me fazer conquistar a calma.

Apesar de vocês, amanhã será um dia diurno.


Voo em desespero, recuso quem me trocou.

Mas apenas em vocês, sonhos malditos!

Quanto ela, eu sei que ninguém tão fundo me tocou,

Porém, também sei que ninguém tão fundo me machucou.


Com "ditos" diferentes de "feitos",

Abrir-lhe-ei com facão os peitos

E apertarei teu coração mal feito

Para que, como eu, você morra em dor e, assim, eu renasça.


Rios de lágrimas não eram nada,

Gritos de ódio eram o que predominava.

Dei-lhe tudo e mais que podia

Para após "te amos", descobrir que me traía.


Portanto, adeus, coração de pedra,

Que lhe tenha valido a pena, o fim dessa era.

Que fique esquecido o passado

Enquanto a cicatriz nunca fechará ao teu lado.


Que teus futuros amantes tenham órgãos avantajados

E gozem-lhe à boca como aos teus antepassados.

Como o que queria ao procurar entre alheios e me perder.

Espero que tenha se satisfeito, pois, de mim, amor nenhum há novamente de ter


Vá, e não volte!

Retorne aos seus montes de enamorados!

Diga "tchau" ao pote,

Que tal sensibilidade nunca terão seus tarados.


Despede-se de presentes, abraços e beijinhos;

Veja-me ao longe e corroa em saudades.

Destrua-se em culpa e na falta de mindinhos.

Cresça à tua idade, e crie, megera, sanidade.


Que os louros desta flâmula com os olhos azuis lhe roguem pesadelos

E que os corpos em forma de Deuses Gregos

Sentem-lhe a mão à cara

Para que deixe de ser arreganhada!


E que me mantenha para sempre em tua mente,

Que não me esqueça e se torture constantemente.

Que nunca mais destrua como me destruiu,

E que, ao chorar sobre teu coração estilhaçado, me assista enquanto na tua cara, rio.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Paint it Black

O amor, ah, o amor. Coisa bizarra que fica presa no peito, não é? Porque não some? Porque meus anticorpos não o retiram e porque meu coração não se recupera como qualquer outro órgão?

A adaga da minha queda se encontra nas minhas costas já há um longo tempo, e eu ainda não a consegui tirar. A adaga que tem palavras cruéis cravadas em sua lisa, brilhante e negra superfície.

Ela avermelha-se. Cada vez mais, sugando meu sangue de homem caído, um homem que não quer, não pode desistir, mas desistiu. Dia a dia, fico mais fraco, dia a dia, meu coração se exausta e racha um pouquinho mais como as secas terras do sertão. Sabem que essas terras trazem apenas miséria e tortura. Mais uma semelhança.

Mas eu sou um homem forte, essa é uma dor que eu consigo aguentar. Embora agora meu mundo esteja em preto e branco, é assim que o quero, é assim que o preciso. Toda noite, escondo minhas lágrimas nas gotas frias d’água que caem do céu, ou no sorriso que mostro diariamente. Eu amo esse sorriso, sabiam? Tão simples e feliz, tão falso e morto.

Consigo sentir a maldita faca que me deu um empurrãozinho ao meu precipício de dor ser minimamente retirada quando tenho a presença dos que me importam, que se importam, que colorem minha vida e me fazem rir de verdade. Eu sinto falta dessas pessoas. São elas apenas... Três ou quatro, de todos que conheço. Que podridão.

Então porque não vêm? Porque não me curam e me salvam? Porque não me tiram da escuridão que tanto amo e odeio? Pois, sozinho, eu sei que não sairei: gosto do mistério, do aconchego, da frieza e da sua complexa dor, mas ela é como uma droga de um cigarro; lhe trás o bem, mas corrói-lhe por dentro. Preciso de vocês. Especificamente de você.

Eu sei que retirar a adaga transformará minha ferida em aberta, e eu sei que muito sangue escorrerá por ela, sei que me enfraquecerei, sei que me destruirei aos poucos, mas não será por ela. Não pela adaga, não pelos escritos. E, quem sabe, talvez essa minha dor toque-lhe, talvez esse meu eu toque-lhe, talvez... Talvez.

Tudo o que quero é o fim dessa dor que me faz bem, dessa tristeza que me faz rir, dessa felicidade que me faz chorar. E é, também, tudo o que não quero. Na verdade, eu queria não a querer, queria não a ter como necessidade, queria. Mas preciso, neste meu amor de louco. Tenho a necessidade de deixar para você uma cama de rosas, rosas negras como o céu da noite, esperando pelo negro profundo e único de teus olhos e de teus cabelos, por teus risos e perfeita face. As rosas negras por esperarem pelo choro que exaltarão ao vê-la, pelo fogo em que vão arder vindo de teu amor, pela lâmina melancólica cheia de lembranças que cairá e será consumida pelas chamas escuras de teu coração que cauterizarão minha ferida e me farão amar novamente, me farão sorrir e poder chorar novamente. Tudo o que eu preciso é você, em toda a impossibilidade de isso acontecer.

Com dor, com repressão e implosão de sentimentos, com lágrimas, com saudade, com necessidade, com amor, com medo,

O Hobbit.

domingo, 6 de maio de 2012

Helpless Flames

As I open my eyes and see
Red flames pouring down on me
Consuming me in a ball of heat,
Destroying my empire of cold and freeze

My fortress has been melt down,
And so has my heart
It flourishes over the red dawn
That I see in your soul.

Free me from this,
I don’t want to get on the same road I did
Leave me out from your fire reign.
Let the darkness embrace me once and for all, I plead.

Your love is my ascension
And your love is my demise.
My demise is my inside revolution,
My ascension is my weakness

And here I am, once again
Fooling myself in pretend sadness
And all I can hear is you saying:
“I love you” – I bid, let me love you too
And help you out from your helpless place

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Passado os anos trinta

Passinhos pequenos e lentos dos pés enrugados nas sapatilhas de couro surrado.
Ar de sabedoria,
Olhos azuis como o céu do paraíso,
Nariz grande e um amor de sorriso,
Lábios rachados,
Cabelos grisalhos e escassos
Roupa dos anos 30, coisa antiga!
Empoeirado e cheio de fatiga,

Olhos cansados e desesperados
A procura do inesperado
A procura do passado
A procura do certo e deixado de lado
A procura da juventude
Ou de uma pausa para plenitude
Uma pausa para tomar um ar,
Poder respirar e descansar,
Para assim continuar
Com seus passinhos pequenos e lentos dos pés enrugados nas sapatilhas de couro [surrado

segunda-feira, 19 de março de 2012

Adieu

Sou da sociedade,
O palhaço!
O amor esquecido,
O humor apagado.

Vivo a alegrar,
Mas choro a noites de pesar.
Ah, felicidade que não há,
Porque não me aparece?

Porque na porta
Não me bate?
Prometo lhe fazer nota de música,
Prometo cumprir minha parte!

Ah, felicidade,
Quebre as regras da solidão,
Venha, estilhace a minha janela!
Tire-me desta depressão.

Uísque na mão,
Cocaína na mesa.
Salvação?
Ah, que ninguém me impeça!

Um abraço, mundo!
Admito que foi horrível enquanto durou.
Mon amis, adieu!
La réunion sera de l'autre côté

segunda-feira, 12 de março de 2012

Chamem-me de verdade
Chamem-me de cavaleiro do amor,
Pois é o que sou na crueldade
Da não mentira que causa dor

Sou o sincero
O feliz e invejado
Lá se vai o enciumado
Desejando a mim apenas mistérios.

Infelizes mistérios de cavernas escuras,
Já não adianta mais, eu enxergo!
O coração acende e ilumina as estruturas
Que se mudam em sintonia com o vero
Com o eu.

Este sou eu
Aos olhos dos passantes:
Convencido!
Arrogante!
Vagabundo!

Mas este sou eu
Ao meu mundo:
Pela própria mente tecido,
Um ser pensante,
Imaginativamente mudo.

Este sou eu,
Modéstia à parte,
Melhor,
Solto,
Feliz,
Longe do frio
Piche social.

Andando sempre,
Sempre em frente.
O Passado não existe,
O Presente é Carpe Diem
O Futuro não existe,
Então que seja;
Carpe Diem
Em tudo,
Para todos!
Felizes os últimos
Se os primeiros tiverem educação.
Fodam-se os últimos,
Somos nós,
Em dupla trabalhamos melhor,
Em dupla começamos a criar um governo
Umas regras aqui
E ali, até todos
Seguirem o que eu digo
E tudo voltar ao que era antes.
Ao que era pior,
Ao que era corrupto,
Ao que era bom para todos.
Ao adeus da Vida boa
Ao adeus da Vida ruim
Ao adeus.
Adeus.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Arwen

Era dia de comemoração em Valfenda!
O fim de mais uma lenda.
Via uns chorando,
Outros sorrindo
E eu, ah, dançando.

Não era o único, claro,
Tinha amigos ao meu lado,
Não havia ninguém sentado!
Canções e fábulas de aprendizagem,
De paixões e de palavras de coragem.
E este velho Hobbit surpreendeu-se ao ver que,
Apesar de tantas aventuras ter feito parte,
Ainda não conhecia a verdadeira arte
De ter bravura
Nestes tempos de loucura.

Vi ao longe a elfa.
Ela chora, seus companheiros riem.
“Levanta a face, jovem, afronta!” – eu torci.
Essa foi a primeira vez que algo que pedi
Se realizara.

Intrometido, estendi meu pescoço para escutar;
“Não veem o que estão a fazer-me?
Chega de me fazer chorar!
Pensem antes de falar!
Não percebem que machuca meu espírito?
Tuas falas cruéis de nada são piadas –“

Nunca vi tantas elfas se sentirem culpadas.
Se sentirem como escória.
Coragem assim como a desta bela criatura
Não conheci nem em história!
Via nela agora... A tão procurada Paz.

Andei até lá devagar
Com minha bengalinha,
Com surpresa abracei-lhe,
Limpei-lhe as lágrimas
E disse-lhe:

“Orgulha-te de si mesma,
Fizeras o que nem o mais bravo dos homens
Tem coragem de pensar em fazer.
Levanta-te e orgulha-te,
Brava elfa,
Tua história será contada
Por toda a Terra Média
E serás lembrada para sempre”

“Arwen”,
Ela me disse.
Imagino que seja seu nome...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Apenas mais tinta:

Criatividade para quê?

Sentir para quê?

Escrever é apenas

Botar a mão na caneta

E saber quando finalizar o começo.


Um papel em branco

Nada menos é que outro cheio de palavras

Palavras são fúteis,

São inúteis,

São vãs.


O branco

É meu silêncio.

A tinta,

Minha confusa

Barulheira.


E pena eu tenho

Dos que me leem

Dos que pensam que atrás

Da negra tinta do nobre polvo

Existem sentimentos.


Tolos.

Ingênuos.

Sonhadores alienados.

Escravos da própria imaginação.

Seres avoados, percam as asas.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Ganga, nos salve!

Aqueles cinco, dez, quinze minutos que... Ah! Que se diga uma hora! Aquela uma hora embaixo da ducha, aquela uma hora em que se recorda, em que se revive, em que se chora.

Aquela uma hora em que soltamos todos os orgulhos engolidos, os falsos risos, os socos escondidos: a santíssima trindade da depressão.

Talvez choremos naquela uma hora, unicamente nela, para que nossas lágrimas pareçam insignificantes em meio a tantas outras lástimas. Não! Isso não é sobre “eles”, isto é sobre tu!

Chore, mas não apenas chore. Faça algo, mude tua vida, resolva teus problemas, pois eles são teus apenas e ninguém o ajudará por suficiente. Liberte-se por si só. Assim, você poderá chorar pelo o que resta no mundo: chorar por amores perdidos, chorar por dores e sofrimentos, por um mundo sem sentimentos.

domingo, 25 de setembro de 2011

Vil Destino, seu final o aguarda.

Não consigo escrever! Estou inspirado, percebo isso... Mas... Não consigo escrever, não sai nada. Provavelmente me encurralarei no fim deste parágrafo, a não ser que lance perguntas na esperança de produzir um bom texto a partir delas. Porque isso? Porque minha mente de antigo escritor já não funciona mais? Precisa esta alma de tristeza para soltar letras? Que tipo de lógica é essa?

Leio meus antigos textos, todos eles cheios de metáforas, todos eles cheios de angústias, tristezas e ódios. Todos eles tristes, mas todos eles excelentes textos, modéstia à parte. Até agora eu só escrevi palavras insignificantes, nada profundas, nada interessantes. Leva a perguntar-me quem teria a paciência de ler isso.

Então é isso, corpo e alma? A palavra não pode existir sem o frio gelo da depressão? Se o tempo me prometesse uma carreira de escrita famosa, rica, confortável, abundante em tudo, onde nada fosse ausente com a condição de ser triste... De que me adiantaria? Quem escolhe ser triste e ser rico?

Muitos aí são desalmados como os destruídos Nazgúl, mas não eu. Eu preciso, necessito intensamente do fogo da paixão, fogo mais ardente que o que a própria Montanha da Perdição oferece. Já fui frio, já fui triste, já fui um “Compadre” (permiti a mim mesmo, aqui, introduzir certa intertextualidade), sim. Mas não pretendo sê-lo de novo, não hoje, não com ela, não! Aqui, de novo, digo ao destino: Não! Eu o impeço (perdoem-me por outra).

Ordeno-lhe como apenas O Hobbit tem autoridade, com Ferroada empunhada, que vá bater em outra porta, pois “you shall not pass” (mais uma). Você passou da outra vez e talvez deva agradecer por isso, realmente! Mas por essa, por essa você não passa, você não é forte o suficiente, sua lâmina antes tão fria e perfurante derreteria no fogo invisível que aqui existe, que aqui não apaga e nem foge.

Portanto, destino desgracioso, porque não foge antes que lhe meta o rabo entre as pernas? Antes que seja derrotado como o grande Balrog de Moria fora pelo meu velho amigo Gandalf? Sabes muito bem que “size matters not”, como diria Gimli, aquele anão rabugento. Fuja e não volte mais, desapareça, pois a Ferroada agora é coberta por um fogo mais ardente que o de mil sóis, agora é mais afiada que as lâminas de Elendil.

E serei eu, seremos nós a nova lenda viva da Terra Média. Nós seremos os que afugentarão o cruel destino, seremos os que inspirarão outros a fazer o mesmo, seremos nós os que sobreviveram. Lembre-se dessas palavras, destino pútrido e vil, pois são elas que proclamarei quando o destruirmos. Prepare-se, velho amigo, aqui estou eu com a espada, esperando ansiosamente por suas distintas batidas em minha porta de madeira. Venha, venha para o seu destino. Seu final destino.